Diário de um suicida
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junho 07, 2005


Deus


Uma professora de creche observava as crianças de sua turma desenhando.
Ocasionalmente passeava pela sala para ver os trabalhos de cada criança.
Quando chegou perto de uma menina que trabalhava intensamente, perguntou o
que desenhava. A menina respondeu:
-"Estou desenhando Deus."
A professora parou e disse:
-" Mas ninguém sabe como é Deus."
Sem piscar e sem levantar os olhos de seu desenho, a menina respondeu:
- "Saberão dentro de um minuto".



Publicado por JorgeCastelo em 10:24 AM | Comentar (1)

junho 06, 2005


Uma tarde


Era o Éden aquele jardim banhado, nas chamas mais quentes do dia, por sombras de árvores várias, familiares, mas que nunca conheço o nome. De ti, como das árvores, emanava o mistério da identidade. Àquela hora as escadas subiam solitárias até ao jardim e dali a cidade parecia distante nas ruas adormecidas e tu, tu debruçavas-te sobre ela empoleirada no enigma dessa palavra a aproximar-nos. Apenas a dança das folhas mentia o silêncio até ter as tuas mãos nas minhas. Foste toda a verdade no saber dos meus dedos e o segredo deixou de ser; não tinhas nome; ou tinhas, mas não teu e a tua idade, as tuas mãos nas minhas. A tua voz... perdi-a e a cor do banco de madeira em que consumimos a tarde ficou para sempre nesse jardim. Mas comigo como pilar ou coluna vertebral de eu ser: as tuas mãos nas minhas.

Publicado por JorgeCastelo em 10:18 PM | Comentar (1)