Uma tarde
Era o Éden aquele jardim
banhado, nas chamas mais quentes do dia,
por sombras de árvores várias, familiares,
mas que nunca conheço o nome.
De ti, como das árvores,
emanava o mistério da identidade.
Àquela hora as escadas
subiam solitárias até ao jardim e dali
a cidade parecia distante nas ruas adormecidas e tu,
tu debruçavas-te sobre ela empoleirada no enigma dessa palavra
a aproximar-nos.
Apenas a dança das folhas mentia o silêncio
até ter as tuas mãos nas minhas.
Foste toda a verdade no saber dos meus dedos
e o segredo deixou de ser;
não tinhas nome; ou tinhas, mas não teu
e a tua idade, as tuas mãos nas minhas.
A tua voz... perdi-a
e a cor do banco de madeira em que consumimos a tarde
ficou para sempre nesse jardim.
Mas comigo
como pilar ou coluna vertebral de eu ser:
as tuas mãos nas minhas.
Publicado por JorgeCastelo em
10:18 PM
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